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2010 – Desafio dos Sertões, uma prova que já nasceu grande.

 

A primeira edição do DS chegou com uma grande expectativa, foi a primeira prova do Campeonato Baiano de Corrida de Aventura a ser realizada longe da Capital Baiana.

Com Largada na Ilha do Fogo, divisa BA/PE os atletas fizeram um percurso urbano com direito a rapel na Ponte Presidente Dutra e seguiram pra percorrer 120 km na região do Vale do Salitre, tendo como cenário de fundo a Serra do Mulato. Uma etapa com longas pernas de remo, que se tornaria uma das marcas registradas da prova. Já nesta edição verificamos outra tendência, o grande número de atletas de outros estados em solo Baiano, e o resultado foi a vitória dos Alagoanos “OSKABA” nas duplas e da então Soteropolitana “MAKAIRA” nos quartetos.

Muito sol, céu azul e o imponente Rio São Francisco dominando o horizonte. Esse foi o cenário da primeira edição do Desafio dos Sertões, prova válida pelos Campeonatos Baiano e Pernambucano de Corrida de Aventura.

A maior parte do percurso foi realizada em Juazeiro, na Bahia, mas os participantes tiveram a oportunidade de passar para Petrolina, em Pernambuco, logo após a largada, quando saíram correndo pela ponte Presidente Dutra para os primeiros quilômetros de prova.

Depois de voltar nadando/flutuando para o ponto de largada, metade da equipe fez o rapel e a outra, pegou os caiaques para resgatar seus companheiros de equipe e seguir remando rio acima.

Com os atletas reunidos novamente as equipes seguiram direto para a margem direita do Velho Chico, onde conseguiam se desvencilhar um pouco da forte correnteza e progredir no percurso, mas mesmo assim foi preciso muita forçaa nos braços e ritmo constante para não voltar para trás.

Mas a organização não facilitou e montou um PC na paradisíaca Ilha do Maroto, forçando as equipes a cruzar o rio novamente. A dupla Oskaba (AL) já mostrava que não estava para brincadeira e foi a primeira a passar por ali, mas as outras equipes estavam bem próximas. Entre os quartetos a Insanos Millennium chegou na frente e cerca de 10 minutos depois passou a Millennium Daventura Makaíra.

Quem não está acostumado com as características da região, ao ver o mapa poderia dizer que essa não seria uma prova muito difícil. A maior parte do percurso era praticamente plana e as poucas curvas de nível no mapa passava a falsa sensação de velocidade. Até o clima, normalmente bastante quente, estava mais ameno.

A primeira seção de trekking mostrou que as equipes teriam muito trabalho pela frente. Os inúmeros caminhos de animais tornavam a vida dos navegadores mais difícil e muitas vezes a única opção era enfrentar os espinhos e a vegetação seca da caatinga.

A princípio o objetivo das equipes era alcançar o ponto crítico da corrida, o trekking na Serra do Mulato, com alguma luz do dia, mas o atraso na largada não permitiu isso. Os primeiros atletas saíram pedalando da comunidade Campos dos Cavalos no início da noite.

A partir deste ponto as equipes tinham duas opções de caminho até Junco: pelo asfalto, fazendo um caminho um pouco mais longo, ou pela estrada de terra. A equipe Gantuá Millennium foi provavelmente a única que se arriscou pela estrada e trilhas de terra, o restante optou pela segurança de navegação e maior velocidade do asfalto.

O trekking pela Serra do Mulato mostrou ser realmente bastante difícil, tanto em navegaçãoo quanto em exigência física. Sem caminhos demarcados, o melhor a fazer era traçar o azimute e seguir sempre em frente ao invés de procurar por trilhas que levassem direto ao destino.

Com uma grande vantagem sobre o restante do grupo, Oskaba e Millennium Daventura Makaíra seguiram juntas para a chegada, com direito a uma natação gelada na madrugada de domingo.

A segunda equipe a pegar as bicicletas de volta foi a Gantuá Millennium mas a Extreme/Datageo/EcoFitness foi se aproximando aos poucos e as duas equipes se encontraram no PC15/AT8, de volta às margens do rio São Francisco.

Na disputa de última hora, quem se deu melhor foi a Extreme, ganhando uma posição no final da corrida.

Vale destacar ainda a participação de atletas locais em suas primeiras corrida de aventura. Apesar de terem desistido, os integrantes do quarteto Nativos, de Petrolina, estavam bastante empolgados e estavam dispostos a treinar e participar de outras provas. Já a dupla Carranca, de Juazeiro, garantiu a segunda colocação em sua primeira prova. Os atletas estavam temerosos em relação a navegação (tiveram apenas uma instrução rápida e básica) na Serra do Mulato e sabendo de sua deficiência, queriam desistir na noite de sábado, mas foram incentivados a seguir em frente acompanhando outra equipe mais experiente.

 

Classificação Duplas

1- Oskaba - AL

2- Carranca

3- Atlas Brasil MedDog

4- Insanos Cavalo do Sertão

5- Calangos

 

Classificação Quartetos

1- Millennium Daventura Makaira

2- Extreme

3- Gantuá Millennium

4- Aventureiros do Agreste

5- Atlas Brasil H20

6- R2/Companheiros

7- Ospato - AL

8- Giramundo

9- Insanos Millennium Adventure

10- Raso da Cata

11- Nativos - PE

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2011 – Descobrindo o Lago de Sobradinho

 

A segunda edição aconteceu entre os municípios de Sobradinho e casa Nova, com largada nas proximidades da “eclusa” da Barragem de Sobradinho.

 

Marcante participação do Exército Brasileiro que organizou uma pista de orientação antes do remo entre o Porto de Juacema e as proximidades da Serra da Pimenta, na outra margem do lago. Muito vendo e um lago bastante “mexido” desnortearam algumas equipes, a exemplo da Maré alta de Sergipe, que só conseguiu “terminar” sua jornada dois dias depois da largada.  Tudo isso bem marcado nos detalhes pelo GPS TRECK fornecido pela Adventuremag de Togumi. Após cerca de 130 Km a vitória dos marrentos Baianos “EXTREME” nos quartetos e da dupla “Olhando Aventura” (BA/DF) nas duplas

 

O GRANDE DESAFIO DO SERTÃO

autor: Américo Sam

 

"Meus amigos e companheiros,

caros colegas e prezados cidadãos;

Vou lhes contar um fato interessante,

por isso, careço de vossa atenção.

 

Trata-se de uma peleja

que se sucedeu no sertão;

O desafio foi tão grande

que abalou e comoveu todo e qualquer coração!

 

Estava eu tranquilo

desfrutando da vida de ocasional corrredor;

Quando em cima da bucha,

Seu Paulo, o caatingueiro, um convite me lançou.

 

“Venha conosco até o norte do estado

para o 4° integrante da minha equipe se tornar;

Será uma corrida ‘boba’ (boba o que moço)

e nós não teremos o compromisso de ganhar;

mas se derem trela,

a gente chega pra biliscar”.

 

Fiquei em cima do muro

e fui com algumas pessoas conversar;

Falei com o Véio do Mato

e ele disse que lascado eu iria ficar;

Pois, corrida de aventura é uma coisa

que apaixona e bota o cabra pra piar.

 

Conversei com minha família

e a autorização recebi;

Minhas filhas ficaram temerosas

mas, oraram pra eu conseguir;

Minha esposa disse:

volte inteiro, pois te queremos aqui.

 

Avisei ao pessoal do Caatinga

que eu nada possuía pra levar;

Malmente um par de calça e camisa, juntamente com uma bússola,

e todo o resto, eles tinham que providenciar.

 

Avisei também que estava com receio da minha resistência,

pois, fazia tempo que não pedalava;

Vez ou outra eu corria,

mexia com bússolas e nunca remava.

 

Em Juazeiro, a recepção foi muito boa

me fazendo esquecer do perrengue que estava pra vim;

Mas tudo foi embora,

quando chegou a hora de partir.

 

A partida foi dada

e nos pusemos a correr;

Foram 8 km de corrida e caminhada,

com um sol de fazer o juízo arder.

 

No PC1 encontrei uma coisa

que eu sabia fazer;

Uma pista de orientação

que nos colocou a vencer.

 

Mas no PC2 encontrei algo

que me colocaria em “depressão”

Rema, remava, rema, remava,

porém, achei que o “barco” não saia do lugar, não.

 

Marcinha tinha me ensinado uma cantiga

que no lago me pus a cantar;

Eu amo remo - eu amo remo,

mas aí, meu parceiro começou a enjoar.

 

Pensei que a noite iria cair

e no lago estaria a remar;

Mas, hei! Que surge uma dupla

e sugere nos rebocar.

 

Foi a salvação da lavoura

e ao ADVOGADO AVENTUREIRO tenho que agradecer;

Paulinho e Márcia já estavam quase dormindo

quando “resolvemos” aparecer.

 

Ufa! Chegamos ao PC3

e juntos com outras equipes fomos o PC4 atacar;

O ataque foi bonito,

pois logo-logo chegamos lá.

 

A ida pra o PC5

foi um tal de trek corrido que me fez cansar;

Mas, a canseira que tava pra vir,

eu não sabia mensurar.

 

Por favor, registre aí uma coisa

que esqueceram de me avisar;

Pedalar, sem treino, é muito ruim

e com selim pequeno, tende a piorar.

 

Alcançando o PC6

fomos para o PC 7 rapelar;

Rapelamos rapidinho

e de volta, começamos a pedalar.

 

O pedal ficou pesado

porque tinha muita areia pra travar;

Eu clamava por uma banguela

mas aí, a equipe se pôs a me empurrar.

 

Batemos o PC9, o PC10

e o PC11 demorou a chegar;

E quando chegamos

faltavam duas horas pro corte começar.

 

Meio que receoso, fomos ao lago

para a 2a perna de remo encarar;

A coisa tava feia,

parecia praia deserta com ondas a se quebrar.

 

Ventava tanto, que nem o pensamento eu mexia

com medo de o caiaque virar;

Rapaz! Ventava muito mesmo,

só estando lá, pra assuntar.

 

As marolas voltaram a entrar em ação

Sendo assim,

cabava ali a nossa participação;

Uma coisa eu digo,

e digo com emoção:

“Foi uma honra participar dessa prova,

que é bem chamada de DESAFIO DO SERTÃO”.

 

Na oportunidade, agradeço ao meu DEUS

que a todo tempo nos sustentou;

Aos caatingueiros fortes e determinados

que a todo momento minha moral elevou;

A todos, MUITO OBRIGADO,

e até a próxima com a benção do NOSSO SENHOR."

 

Classificação Quartetos

1 – Extreme Adventure Team 

2 – Oskaba

3 – Insanos Millennium Adventure

4 – OSPATO

5 – Nativos

6 – Pelaskdo

7 – Gantuá

8 – Carranca

9 – Kaaporas Pererê Adventure

10 – Caatinga Trekkers

 

Classificação Duplas

1 – Olhando Aventura BB Brindes

2 – Atlas Brasil H2O

3 – Calangos

4 – Eu Vou com o Advogado Aventureiro - MG

5 – Carranca 02

6 – Maré Alta - SE

7 – Só Nós Dois e Não Insista - PE

8 – Kaaporas 02

9 – Cavalo do Sertão

10 – Gantuá 02

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2012 – Petrolina e Juazeiro: O Vale abraça o desafio dos Sertões

 

A terceira edição foi marcada pela difusão da Corrida de aventura no Vale do São Francisco – Desde a primeira edição, já contávamos com a presença dos locais “Insanos Adventure” e “Carranca Multi Sport” nas duplas e “Nativus” nos quartetos, mas nessa edição outras equipes regionais como Thunder, Tonico, Pelaskdo, Cavalo do Sertão, Algaroba, dentre outras marcaram presença em peso. Nesta terceira edição introduzimos a categoria “menor” de 45 km para duplas e duplas mistas. Foi também a etapa com maior alternância de liderança: sete equipes se revezaram na liderança até que no final a Caatinga Trekkers cruzou em primeiro nos quartetos e tivemos a vitória da R2/Companheiros nas duplas.

Fazer etapas de corrida de aventura é definitivamente um grande desafio no cenário atual – escassez de patrocinadores, incerteza de participação de atletas, dificuldades de logística, dúvidas no tamanho do percurso... mas tudo isso é irrelevante quando somos referendado pelos elogios dos competidores, o que nos dá a certeza de termos feito um bom trabalho. Já havia tempo que não víamos na Bahia 33 equipes alinhadas na largada para tentar completar um dos desafios: 45 ou 140 Km.

Nesse desafio pude relembrar o recomeço da corrida de aventura na Bahia, com bicicletas de ferro, pneus não birrados, capacetes de “pedreiro”, mochilas enormes e pesadas, mas acima de tudo muita alegria e grande expectativa pelo que viria. Foram 17 equipes novatas que esperamos dar continuidade a renovação que o nosso esporte tanto precisa.

Pra fugir um pouco do sol do sertão, fizemos uma largada noturna: uma bela festa e uma decisão acertada devido a grande adesão da população local na corrida de rua de 5 Km – além de inserir a comunidade no evento, pudemos ver a torcida e admiração pelos atletas da aventura que adentravam em seus caiaques para navegar e iluminar com suas lanternas o rio São Francisco .

Após um PC na Ilha de Nossa Senhora, uma dentre as dezenas que os atletas contemplaram rio abaixo, tivemos a surpresa de vermos os novatos da equipe “A Diretoria” faturando a “zona de sprint remo”. Ainda na transição os atletas já se autodenominavam “Os Reis do Rio”

Mas a alegria duraria pouco, foi só pegar as bicicletas e a favorita Oskaba mostrou que não estava pra brincadeiras e finalizou os PC’s de Bike abrindo uma boa diferença para o segundo colocado.

A essa altura, o problema era a baixa temperatura que tanto castigou os atletas durante a madrugada, mas nada superado a encarar as estreitas e espinhosas trilhas da caatinga ainda durante a noite – e a navegação fez a diferença pra dupla dos Insanos e para o quarteto Aventureiro do Agreste, que acertaram fácil a navegação e assumiram a ponta da prova nessa perna de trekking.

O trekking continuaria por mais três serras e agora era o sol que causava problemas nas estratégias das equipes, desidratando, comprometendo rendimentos e fazendo mais um líder: a equipe Kaaporas de Feira de Santana. Durante toda a prova essa alternância de líderes foi uma constante, o que deixava em aberto e sem favoritos o novo “lampião” do sertão.

Tanto as equipes quanto o staff da prova sentiam o efeito do forte calor, e alguns PC’s tiveram que ser resgatados e substituídos: foi a hora das garotas da RedBull e da Gatorade deixarem a tenda e trocarem a entrega de bebidas geladinhas pela caneta e prancheta. Sobrou até para o Presidente da FBCA, Paulo Neves, que teve que subir a serra e aguardar os participantes no PC. Isso tudo com caixas térmicas – Valeu Presidente!!!

Após um longo pedal e mais uma subidinha na Serra do Capim foi possível verificar o equilíbrio da prova com todos os que ainda restavam na prova presentes no PC 13: Insanos, as duplas da R2 Companheiros, Caatinga Trekkers I e II, Ospato e Pelaskdo.

De volta a bike os Insanos dupla e quarteto assumiram a ponta até o final da prova, que foi concluída com mais uma perna de remo, no entanto uma penalização em tempo (3h 50’ - o dobro do pior tempo no trecho entre o PC 13 e 15) fez com que caíssem para os últimos lugares dentre os que completaram a prova, abrindo lugar para a vitória da Caatinga Trekkers nos quartetos e R2/Companheiros nas duplas. Uma prova com sete líderes diferente e muita emoção.

Enquanto isso, alheio aos maiores perrengues da prova a turma dos 45 Km iam, uma a uma, completando a prova com uma alegria que não via há muito tempo – gritando, abraçando outras equipes, fazendo uma merecida festa na linha de chegada – o prazer de completar a primeira corrida de aventura é algo indiscritível! Pude observar que os melhores valores da corrida de aventura tem sido renegado a segundo plano, se perdendo com competividade exacerbada, e abalando antigos laços de amizade. Essa galera de novatos mostrou que é possível retomar o caminho.

Um muito obrigado a cada um que fez parte deste Desafio: staff, atletas, patrocinadores, imprensa, família e comunidade do entorno da prova.

O Rio São Francisco não divide seus Estados, ele une seu povo.

 

Quartetos 140 Km

1 – Caatinga Trekkers I

2 – Caatinga Trekkers II

3 – Aventureiros do Agreste

4 – Insanos Millennium Adventure

5 – Ospato

 

Dupla 140 Km

1 – R2 Companheiros

2 – R2 Bravo

3 – Oskaba II

4 – Insanos II

5 – Pelaskdo Aventuras

 

Dupla 45 Km

1 – Jacaré Team JJ

2 – Insanos Cavalo do Sertão

3 – Mandacaru Maluco

4 – Pelaskdo Arca Sport

5 – Crescente

6 – A Diretoria

7 – Baião de Dois

8 – Carranca Mult Sport

9 – Toniko

10 – Pelaskdo II

 

Dupla Mista 45 Km

1 – Thunder Adventure

2 – ENAC

2013 – FINAL CBCA

 

Com apenas três anos de existência, o Desafio dos Sertões sediou a Final do Campeonato Brasileiro de Corrida de Aventura – a primeira e única até agora realizada no nordeste do Brasil. Equipes de todos os lugares se encontraram nos 140 Km das trilhas entre os municípios de Juazeiro e Sobradinho, proximidades das serras pertencentes aos distritos de Trairas, Salgadinha e São Gonçalo – tivemos representantes de 13 estados da Federação, uma grande festa do esporte.

A navegação apurada aliada ao sol escaldante e o terreno árido e com escassez de água fizeram com que nenhuma equipe completasse o percurso completo deste Desafio, mesmo com a prova repleta das melhores atletas do Brasil. Várias lendas urbanas foram criadas nessa prova...

 

O SERTÃO MERECE RESPEITO, E ELE COBROU...

 

Ao final de mais uma etapa do Desafio dos Sertões, tivemos a percepção que nem tudo foram flores, aliás, como era de se esperar, muito mais espinhos do que flores nessa caatinga.

Nesta quarta edição do Desafio dos Sertões nos pediram uma prova dura, digna de uma Final de Campeonato Brasileiro. De cara, ficamos preocupados com a data, ainda no chamado verão nordestino, agravado por dois anos sem chuvas na região e o baixo nível do Lago de Sobradinho. O sol castigou desde o início do mapeamento, por duas vezes desidratamos no trekking que foi feito entre os PC’s 08  e 12 e em outra oportunidade tivemos que pernoitar na região de Traíra, sem água, comida, dinheiro, celular... ficando apenas com a boa vontade e hospitalidade do povo nordestino. Não havia trilhas mapeadas na região e fizemos uma por uma e os moradores, incrédulos, duvidavam que alguém fosse capaz de fazer tudo aquilo em um dia – no fundo estavam com razão...

A maratona começou com a chegada das equipes – gente vindo de todo o Brasil nos mais diversos vôos, a tarde, a noite, de madrugada... alojamento pra essa galera toda, deslocamento das bikes... e com a chegada de muita gente no aeroporto as 16:00h com o brieffing marcado para as 17:00, o atraso já era previsível – e aliado a carros atolados, informações desencontradas, o brieffing inicial começou bem mais tarde e certamente foi bem atropelado para manter a largada no horário previsto.

Mapas entregues, pessoal alimentado, começamos a prova com uma largada simultânea, dos 5 Km, 50 Km e 150 Km ao som do DJ Babalu. Primeira auto crítica da prova – não foi uma largada empolgante como nas edições anteriores, alguns não estavam esperando e a correria foi total para o “trekking” urbano até o PC 02.  Os caiaques estavam dispostos entre as pilastras da ponte que liga Juazeiro a Petrolina, já que o exército não permitiu a colocação nas areias da Ilha do Fogo. Foi a primeira vez que os atletas subestimaram a prova, muitos não acreditaram nas correntezas do rio São Francisco e saíram muito próximos no ponto final em uma linha quase reta – o resultado foi muita gente tendo que ser ajudado pelo barco da organização, atletas em pânico agarrado nas pilastras, e um verdadeiro terror para quem não iniciou sua nadada alguns metros rio acima.

Caiaques rio acima e PC’s na Ilha do Maroto e Ilha do Rodeadouro até chegada no PC 06. O PC 04 estava deslocado, alguns metros acima, já que o barco não conseguiu encostar devido a um banco de areia que se acumulou na ponta da ilha. Foi neste remo que o sertão encontrou seu primeiro herói – Hayala, atleta da Caatinga Trekkers, possui uma deficiência física em um dos braços, e ainda assim, com o braço imobilizado, fez os quase 20 Km rio acima. Enquanto a Brou “Brutos” Aventuras e a Lontra já pedalavam há horas, os “Caatingueiros” se arrastavam na água com muita garra e perseverança que seria demonstrada em toda a prova um verdadeiro e emocionante exemplo de superação.

Trecho de bike sem maiores problemas para a maioria, mas aqueles que saíram por atrasados da água, começaram a sentir o efeito da caatinga com o nascer do sol. Já no PC 07 – Casa Abandonada resgatamos os caras finíssimos da Papaleguas (SC) que tiveram problemas seguidos com espinhos e a alta temperatura já no início da manhã – era um prenúncio do que viria pela frente – a galera do Sul/Sudeste iria mesmo sofrer mais que os nordestinos. Resgatamos o pessoal para o PC 08 e lá eles encontraram um oásis no sertão: O PC da Traíra tinha água gelada, Gatorade gelado, red bull gelado e um almoço especial com bode cozido, espinhaço e carne assada com feijão, arroz e farofa.

Essa maior estrutura no PC 8 e PC 11 foi devido aos extremos do temido trekking, e foi pensando nisso que a organização disponibilizou carros pipas com água tratada em 3 locais diferentes do trekking – foram mais de 20.000 l de água tratada que alimentaria as cacimbas de Traíra, São Gonçalo e João da Mata – sair com pouca água para o PC seguinte, ou não utilizar o “purificador” de água, não se mostrou muito inteligente.

Conversando com Tiago Brou e Renato Kalango, pude perceber reclamações sobre o mapa. Realmente carecia de outras informações, mas gostaria de lembrar que não existe nenhum mapeamento por aquelas bandas e que, a trilha mapeada, foi o nosso caminho no GPS, enquanto seguíamos os moradores locais que achavam aquilo tudo uma insanidade.

A essa altura da prova a diferença do primeiro pelotão, encabeçado pela Brou e Quasar Lontra, chegava a quase seis horas para os últimos colocados no PC 08. Ao chegar no PC 11 essa diferença chegou a ser de nove horas, mas foi ai que o sertão começou a mostrar quem mandava ali. Para se ter uma idéia,  os Brutos bateram o PC 11 exatamente no horário previsto pela organização, no início da manhã, mas o retorno de algumas equipes depois de deixar o PC, e a demora de chegar no PC 12 nos dava o sentimento que alguma coisa havia saído errado. Com o Sertão não se brinca, seja pela vegetação, seja pela temperatura, ou mesmo pelos suas loucas trilhas.  O sol castigou e o sertão mostrou suas garras.

O pessoal da ambulância trabalhou bastante pra hidratar e prestar pronto atendimento a atletas, e mesmo no PC com estrutura, muita gente sofreu a poucos metros dele.

Já era noite quando a Makaira (BA) apareceu no PC 13, sedento por água e optaram por pegar o corte e ir para a chegada do que ter que enfrentar outra temida trilha de bike, que os levariam até o PC 15, e depois a parte mais divertida da prova: o remo no Lago de Sobradinho, com muito vento, ondas e lua cheia.

Definitivamente ninguém ficou feliz com a chegada de poucas equipes, mas a medida que iam chegando Ospato (AL), Kaaporas (BA), Gantuá (BA) ainda na noite de sábado tivemos um alento de felicidade e partimos todo pra o primeiro churrasco improvisado por Euder Advogado Aventureiro.

A falta de informações entre os PC’s foi algo muito crítico, os rádios simplesmente não se falavam e não havia sinal de celular. Ainda assim, tivemos informações vindas do PC 12 de que muita gente estava desistindo, fator pelo qual não estávamos esperando mais gente na chegada, foi quando amanheceu o dia e, para nossa alegria, a chegada da Papaventura (RS), Santa Rita (PR), Caatinga Trekkers (BA), Ciclone (CE) e Raso da Cata (BA). Nossa sinceras desculpas a estes aventureiros que rasgaram o sertão e não havia ninguém para recepciona-los na chegada – essa, para nós, foi a pior parte da corrida – vcs foram muito guerreiros!!!

O troféu fair-play foi difícil de escolher, visto as grande dificuldades, superações, ajuda mútua que vimos na prova – mas OSKABA (AL) praticamente abdicou da sua prova para fazer com que a Raso da Cata seguisse em frente suprindo o Gladiador, campeão da edição 2011 do Desafio dos Sertões, com suas últimas reservas de água e alimentos. Kaaporas (Ba) nas duplas e a BB Brindes na prova dos 50 Km, também trilharam esse caminho da solidariedade e receberam o mesmo troféu.

O maior brilho deste Desafio foi das pessoas que fizeram parte dele, seja nos PC’s ou na organização, sem remuneração alguma, e com uma alegria de dar gosto recebendo atleta a atleta nos deixa muito emocionado.

Paralelo a este sofrimento a prova dos 50 Km, voltada para iniciantes teve uma procura acima da expectativa, com cerca de 25 novatos aventureiros que esperamos ser o futuro do esporte na região do Vale do Rio São Francisco.

Ao final de tudo, ainda sentimos um mix de dever cumprido e que as exigências solicitadas para uma Final CBCA foram excessivas para aquele sol todo. A presença de gente de 13 estados aqui no Sertão engrandeceu o evento, mas, muito mais gratificante foi rever velhos e novos amigos, conhecer novos aventureiros, gente que há muito vinha ensaiando conhecer o sertão, gente que faz questão de estar presente nas quatro edições, e o sentimento de que, apesar de tudo, a festa se concretizou.

Não tenho dúvidas de que a grande maioria se sairia bem em temperaturas mais amenas e vegetação menos densa e espinhosa – então fica a lição para todos nós, amantes do esporte de aventura – Respeitem os Limites do Sertão, respeitem os limites do nosso corpo, e parabéns aos novos Lampiões e Marias Bonitas do Desafio dos Sertões.

A FBCA, o nosso muito obrigado pela parceria em todos os momentos desta prova, desde o início. A CBCA nosso muito obrigado pela confiança depositada. Aos PC’s que seguraram a onda, nos momentos mais difíceis e compartilharam o que tinham – vcs foram retados!!!  E a todos os atletas que puderam estar presentes, a nossa eterna gratidão – foi muito bom ter todos vocês aqui. O Desafio dos Sertões não será o mesmo depois dessa aventura.

 

Classificação Quartetos

1 - Makaira - BA

2 - Ospato – AL

3 - Papaventuras – RS

4 - Ciclone – CE

5 - QuasarLontra/Kailash – SP

 

Classificação Duplas

1 - Gantuá Sowitec – BA

2 - Kaaporas II – BA

3 - Santa Rita Adventure – PR

4 - Caatinga Trekkers – BA

5 - Raso da Cata – BA

 

Duplas 50 Km

1 – Katenga do Sertão – BA

2 – Jacaré Team JJ – BA

3 – Crescente – PE

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2014 – O Frio mostrou a sua força

 

A quinta edição do Desafio dos Sertões foi parar no município de Campo Formoso, e pela primeira vez, o sol não apareceu e os atletas sofreram mais do que o esperado. Um casamento no brieffing surpreendeu a todos, inclusive a linda noiva Aventureira. Com a chegada da noite, o rapel chegou a ser cancelado por ausência de visibilidade, a neblina e a baixa temperatura fizeram algumas equipes desistir por hipotermia .Uma prova com altimetria elevada e que deixou muitas saudades em todos nós.
 

O casamento no Desafio dos Sertões 2014

Por Luciana do Agreste

   Lá estávamos nós, no briefing do Desafio dos Sertões, preparando o mapa para mais uma aventura de 120km, entre canoagem, mountain bike e trekking. Entretida com aquele mapa sem muitas trilhas, desconfiava apenas daquela facilidade, de mais nada. Não tá vendo que isso não é normal!? Básico demais! Por isso que medi as distâncias direitinho e não perdi nenhuma oportunidade de traçar azimutes. Já conheço esse pessoal.

     Desafio dos Sertões com os filhos?! Ficaram loucos!!? Que invenção era aquela? Participar de uma Corrida de Aventura cheios de meninos pendurados. Coisas de Mauro e Gabi... Disseram que, se encontrassem alguém para tomar conta dos meninos, fariam a prova de 50km. Nem desconfiei que estavam aprontando alguma coisa. Só achei que estavam ficando mais doidos ainda. Talvez pela idade, rs!

   Walter Guerra, organizador do Desafio dos Sertões, terminou de explicar tudo sobre a prova e convidou Vitor pra falar um pouco sobre como manter mulheres nas equipes.. Ôxe! Que esquisito! Vitor tem tão pouco tempo de Corrida de Aventura! Mas, como ele é professor, achei que deveriam ter combinado algo, já que nossa equipe realmente tem mais mulheres do que as outras... Até dei um gritinho pra ele falar mais perto do microfone, porque não dava pra ouvir direito.

   Parecendo nervoso, Vitor falou um pouco sobre o assunto e me convidou à frente também, sob o pretexto de eu ser mulher e, também, navegadora da equipe. Foi quando o rumo da prosa mudou! Ele começou a falar sobre algumas corridas que fizemos e dos aprendizados durante esse tempo. Assustada, pensei:

   - Será que esse cabra vai me pedir em casamento? Vou desencalhar, rsrs!

   Olhando pra mim, a criatura sacou duas alianças do bolso e fez o pedido. Antes mesmo de responder, brotaram pessoas da organização da prova de todos os lados com todo material pra realizar um casamento.

   Um susto com o pedido e outro susto com o kit completo de casamento. Um bolo lindo de três andares, duas camisas diferenciadas do Desafio com a frase “Aventureiros para Sempre” nas costas, taças personalizadas do Desafio dos Sertões, champanhe, refrigerantes, buquê de flores do campo, música. Gabi já chegou pelo outro lado com uma grinalda presa a um capacete branco. Mauro com os papéis. Que produção!

   Teve daminha e padrinhos! Então foi por isso que Mauro e Gabi foram com as crianças!

   Os papéis eram um contrato de verdade, rsrs! Meu Deus! Se precisasse de tempo pra pensar, minha gente, não dava não! Os mais de cem atletas que estavam no salão aplaudiam, gritavam e assoviavam loucamente. Fotógrafos surgiram até do teto! Praticamente, paparazzis.

   Mauro disse algumas palavras de casamento, com a maior pinta de padreco nervoso e, finalmente, eu disse SIM para Vitor. Tinha como não aceitar?? Que coisa mais linda! Tanto cuidado e zelo! E a melhor parte é que há reciprocidade em nossos sentimentos!

   O bolo era de verdade, estava delicioso! Era tudo de verdade.. E todos os atletas do Desafio dos Sertões viraram convidados da festa, testemunhando e comebebemorando nosso casamento surpresa.

   O Desafio dos Sertões do ano passado foi tão marcante pra Vitor que ele resolveu me pedir em casamento nesse ano. Foi sua primeira prova longa, e sua primeira desistência. E os malucos dos meus amigos juntaram-se a ele e à família Desafio dos Sertões, encabeçada por Walter e Roberta Guerra, para aprontar uma festa maravilhosa.

   A vida tem me testado bastante por esses dias. Tanto com notícias boas quanto com notícias ruins. Mas, sinceramente, sempre prefiro agradecer a me entregar à tristeza. O que não nos mata, nos fortalece! Sinto que estou ficando mais forte!

   E tem momentos em nossa vida que a gente não esquece nunca, e esse ficará marcado para sempre!  Obrigada aos amigos que tramaram esse casamento com tanta astúcia, a ponto de eu jamais desconfiar. Foi muito especial! Agradecida, especialmente, à Vitor, que sempre arruma um jeito de tornar nossa vida especial todos os dias. Desejo que esse amor seja eterno e abençoado pela Energia Divina.

   Queria muito ter corrido com a camisa rosa e o capacete com véu mas, a minha agrestia não permitiu. A camisa ficou bem grande, ia incomodar. Vamos vestir em várias ocasiões, garanto! Quanto ao véu, quando chegasse no meio do mato, no calor, com os galhos e espinhos me puxando, eu ia ficar igual a Branca de Neve depois de sair daquela noite de trevas ao fugir do caçador, rs! Por isso, deixei tudo guardadinho.

   O quê? Lua de mel?? Vitor vai contar na próxima postagem... rsrs! Só pra adiantar, choveu muito, sentimos frio, furou pneu e tinha lama até o talo! Foi uma Corrida especial!

 

Classificação Quartetos

1 - Insanos Adventure – BA         

2 - Pelaskdo Aventuras - BA                

3 - Aventureiros do Agreste – BA                  

4 - Terra Brasilis – CE         

5 - Caminhos e Aventuras – PE            

 

Classificação Duplas

1 - Gantuá Perdidão – BA            

2 - Insanos Terror do Sertão – BA        

3 - Caatinga Extreme – PE           

4 - Gantuá Sowitec – BA                     

5 - Insanos Cangaço – BA

 

Classificação Duplas Mistas

1 - R2 Companheiros - BA                   

2 - Thunder Adventure - PE                 

3 - Mãe e Filho - CE            

 

Classificação 60 Km

1 - Ranca Toco

2 - Na Tora Provigor 2

3 - Pangeia

4 - Esmeralda 2

5 - Esmeralda 1

6 - Center Guinchos

7 - Arca Sport Adventure 1

8 - Os Caveirões

9 - Em busca do Carro de Apoio

10 - Bode Gaiato 1

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2015 – O retorno ao Vale do Salitre

 

50 equipes se alinharam para retomar ao local onde tudo começou. Esta edição foi marcado por um remo inusitado: dentro dos canais de navegação, com portagens e içamento. Ah! E muito xingamento... A Makaira agora sob o comando de outros nordestinos tornou-se tricampeã da Prova e não deu chances para os demais, em uma região marcada por históricos conflitos de água em alguns trechos e abundantes afloramentos resultando em belas cachoeiras arrodeadas de serras por todos os lados. A prova aconteceu nos povoados de Junco, Pau Preto, Gangorra, Sobradinho e nos arredores e picos da Serra da Cruz e Serra do Mulato, atualmente em área do Parque Arqueológico da Serra do Mulato e com estudo de implantação de parques eólicos.

 

Release byr Lucy – Equipe Penélope e Barão

Desafio dos sertões 2015 - Um teste de sobrevivência!

"Nossa corrida, como sempre, começa dias antes. Há que se planejar toda a logística. Separar equipamentos, verificar as bikes, revisar o carro. Deixar o trabalho e a faculdade em dia...para finalmente colocar o pé na estrada.

Sete horas de viagem depois, estávamos em Juazeiro da Bahia. Como chegamos a noite, estava bem fresquinho. Achei que aquela história toda de calor, sertão e um sol para cada um era exagero. Que nada! Sou carioca. Sei bem o que é calor.... hehehe...tolinha....sabe de nada, inocente!

O dia amanheceu lindo no sertão.

Lá pelas oito da manhã o sol já estava se exibindo. Algumas nuvens fajutas davam a ilusão de frescor.

Estudamos bastante o mapa. Li, reli e memorizei ao ponto de enxergá-lo de olhos fechados. A navegação precisava ser boa, por que não sabíamos o que viria pela frente.

E a hora chegou. 13:00. 43 graus em alguns termômetros. 49 em outros. Erros de calibração a parte, todo mundo concordou em um ponto. Estava quente......pra car#$£#¥o. Se é que você me entende....

E foi assim que desbravamos o sertão. Debaixo de um sol escaldante. Um não...vários... Um Sol para cada um..

Entre a largada e o PC-1 foi só poeira. Sol. Sol. Muito sol. Sem nuvens. Quase sem vento.  O chão seco. A terra vermelha e castigada. As vezes eu pedalava mais forte só para movimentar o ar e sentir um pouco de vento no rosto. De vez em quando uma rajada de vento aparecia do nada. Era um alento. Passageiro e cruel.

Erramos um pouquinho no começo, mas recuperamos logo. Cortamos caminho pelo canavial, pegando uma paralela a trilha certa, que ficava um pouco mais a direita.

CAMINHÃO!!!! - Grita meu parceiro.

Como assim??? De onde sairia um camin....cof cof cof...... tome-lhe poeira entrando pelo nariz, pescoço e frestas dos óculos. Era um caminhãozão de cana. Enorme. Monstruoso. Embaçou nossas vistas de pó. Pensei nos cortadores de cana. Onde estariam eles? Como aguentam viver nesse clima inóspito?

Olhei para o céu e vi o Sol. Bem acima da minha cabeça. Bem que me disseram que o sertão tem um desses para cada um.....Aquele era o meu Sol. E ele era implacável. Não nos entendemos muito bem...Sr Sol, saiba que voltarei para conversarmos. Precisamos resolver essa relação!!!

Em busca de uma sombrinha, parei embaixo de um pé de cana. O cheiro doce era agradável. A sombra...curta e seca. Vand estudava o mapa. Eu reclamava, insistia que a trilha era a direita, mas no fundo queria que ele gastasse mais tempo navegando enquanto eu aproveitava a pequena pausa para resfriar o corpo.

Um competidor local me dera a dica no briefing: Beba água aos poucos. Não desperdice! Você vai precisar dela. Seguindo os conselhos, eu bebia dois ou três golinhos, molhava as mãos e assim refrescava o rosto e a nuca. O meu Sol particular era bastante sedutor e insistia em beijar minha nuca. Impossível me desvencilhar dele. Da próxima vez, corro de balaclava!

Encontramos várias equipes no caminho refazendo a navegação. Foi quando percebi que eu havia errado na medição da distância há cerca de 3 km do primeiro PC. Eu pensei que havíamos passado direto, mas na verdade ainda tinha muito chão pela frente. Contas refeitas, batemos o PC-1 sem maiores dificuldades...fora o calor.

Daí em diante foi muito sofrido. Comecei a ter calafrios. Era o meu corpo tentando equilibrar a temperatura. Olhei para o chão e vi pedras e terra seca. Olhei para o lado e vi uma paisagem aterradora. Nenhuma sombra. Nenhum animal. Apenas galhos retorcidos e espinhos. Muitos espinhos. Lembrei do Salmo 91 ("Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte...") Quando o Rei Davi escreveu este poema, deveria estar passando férias no sertão! Oxi!

Essa aí era a paisagem dominante durante todo o percurso. Eu já corri no interior. Já pedalei em Tanquinho, em Santo Amaro, em Feira de Santana e no Estado de Sergipe. Nunca havia visto nada parecido.

Eu fiquei imaginando quantas almas penam por ali. Neste mundo e no outro...

Aquele pessoal que está pensando em colonizar Marte deveria vir fazer um estágio em Juazeiro.... Quero ver quem tem essa coragem toda!

Entendi no PC-2 que não estava em uma competição normal. Não havia mais adversários. Todo mundo se ajudava. A disputa ali era contra a Caatinga. E ela, eterna, seca, imortal, ria-se de nossa fragilidade.

Algumas equipes já estavam perdidas a essa hora. Outras, já pensavam em desistir. Outras, já haviam desistido.

Pedi licença e sentei na varanda da dona da casa. Ela tinha uma lata. Em cima da lata, uma tampa de madeira. Em cima da tampa uma leiteira....com água!

Minha senhora, eu posso beber essa água? - Pode sim! Chegue...Pegue aqui...

Foi com nordestinos que aprendi o ditado de que "água não se nega". E ali sentada eu bebi aquela água morna e doce. Achei a maior delícia do mundo. Acho que bebi um litro...de gole em gole. Não conseguia parar.

Enquanto o Vand recalculava a rota, eu tentava me recompor. Mas, o pior ainda estava por vir....

O próximo desafio era o PC 11 - nossa prova era de 55 Km, não tínhamos que pegar todos os PCs. O 11 significava a metade da corrida para nós. Enquanto isso, muita gente já se lascava na prova longa...150km...Pura sofrência.

A distância para o PC era longa e o Sol se recusava a baixar. Comecei a ter miragens. A esquerda surgiu um lago que logo se dissipou em ondas de calor. Um toco seco me lembrava um homem sentado. Galhos me lembravam chifres. Eu ouvia boi mugir, sino de vaca fujona, grito de jegue.....Não via bicho nenhum. Muito doido isso!!!!!

A direita, as árvores pareciam incandescentes. Eu juro!!! Achei que tinha visto uma sarça ardente.....

Depois descobri que essas árvores produzem uma cera que ajuda a segurar a água, mas o troço brilha a luz do Sol. Na cor do âmbar. De longe parece mesmo que o tronco está em brasa. Muito bonito. Incrível como a natureza se adapta.

Meu skeeze já fervia e o camelback chegava a queimar a boca. A água do Vand estava acabando. Tentamos comer, mas nada descia. Comi meia banana e dois golinhos d'água a sombra de um espinheiro. A boca seca e a sede incomodavam bastante.

Procuramos muito pela trilha, e nada. Cheguei a entrar na caatinga, procurando rastros de bike...não achei... mas achei patas....grandes....de felino....Seria um gatinho gordo???? Uma jaquatirica? Uma onça??? Resolvi que não queria descobrir e voltei de ré....bem devagarinho para não incomodar o dono, o a dona, da casa....Sei lá.. Vai que...

Encontramos um grupo que também procurava o PC-11. Dois navegadores discutiam sobre o mapa. Eu olhava em volta distraidamente quando vi um morro. Gente! Tem um morro ali! Procurem esse morro no mapa! Hein? Como?

Olhem as curvas de nível, porra!!!!!! Ah, é mesmo! Tem umas curvas de nível aqui! Estamos na trilha certa. Ponto para a Geografia! Aquelas aulas de cartografia não foram de todo inúteis, afinal!

O morro, as pedras, o pó... E nada de trilha para o PC!. Estava um pouco deslocado. Quando estávamos para desistir, a trilha do sacana apareceu. Ampla. Aberta. Cheia de rastros de bike.

Aí, meu caro leitor, o bicho pegou!! Pedalamos por uma hora em um leito de rio seco. Pedra. Pedra. Pedra....espinho....areia....espinho....pedra, pedra.... De vez em quando uma equipe. Um quarteto. Um ciclista solitário a frente ou atrás da sua dupla. E o Sol na moleira!

Parei. Tombei. Os calafrios piorando. Um ciclista me ofereceu mel. Podia ser fome. Aceitei e nem tive forças para agradecer. Obrigada, moço! O mel ajudou. Mas eu lutava contra o calor. A troca térmica não estava funcionando bem. Eu podia ver o painel de controle da minha mente piscando todos os alarmes.  O cérebro me avisava: Vou passar para o modo automático. Vou te derrubar! Mal conseguia me equilibrar na bike e quando conseguia, uma derrapada na areia ou nas pedras me fazia parar de novo.

Ainda era dia. Ainda fazia muito sol. Meu alento era o PC-12. Era o nosso oásis...Lá haverá gatorade....

Batemos o 11. Caí feito uma jaca sobre o joelho esquerdo. Com bike e tudo. Por sorte, ficou só o roxo. Levantei logo, avisando que não era nada. Eu só precisava de 5 minutos....Eu me animei quando soube que éramos a oitava dupla a passar por ali. Estávamos na briga.

Não levei dois minutos e já estávamos em busca do PC-12. Mais pedra, mais areia. Esse era mais difícil porque começou a escurecer. A noite é tudo igual na caatinga... Anoiteceu e refrescou, mas o desgaste do calor não passou. Chorei, deu raiva. Mas, não queria desistir! Eu queria ir, mas o corpo se recusava a obedecer. Era a exaustão. De um tipo que eu não conhecia. Tive que parar várias vezes, porque o pé não obedecia mais ao comando da mente. Nem o pé, nem a mão, nem o olho..... Deu defeito, gente! Ficou esquisito!

Vandi achou ter visto um gato. Depois,  viu olhos brilharem no escuro... Seriam da nossa amiga jaquatirica? Melhor pedalar, né?? Vamosimbora!

Confesso que cheguei ao PC-12 me arrastando. Como só faltavam dois, ainda sugeri continuar. Desistiríamos dos PCs Virtuais, mas ainda dava para pegar o 13 e o 14 e fechar a prova com chances de uma boa colocação. A água do Vandi acabou. A minha estava no fim. Tomamos um gatorade cada um e enchemos os skeezes. Mas, não dava para abusar, porque ainda tinha muita equipe para passar por ali. Já pensou se chegassem e não tivesse água? Aquele era o único ponto de hidratação da prova! Tínhamos que ser solidários.

Enquanto discutíamos o que fazer algumas equipes chegavam e partiam. A trilha para o 13 era mais ainda mais difícil. O risco de ficar sem água era grande. O risco de quebrar de vez também. A noite era escura e sem luar...

Decidimos em comum acordo não pegar os PCs 13 14 e bater apenas a chegada. Foi uma decisão difícil. Amarga até agora. Poderíamos ter tentado e ter dado tudo errado. Poderíamos ter tentado e brigado por pódio.

Jamais saberemos.

Ainda encontramos muitas duplas perdidas na volta. Ajudamos a todos indicando o caminho e seguimos na contramão. Era o fim da nossa prova.

Sabe aquela sensação de que você deu o seu melhor, mas isso não foi suficiente? Pois é! Dessa vez, perdi para a Caatinga. Mas, a gente não desanima nunca! Ficamos com gostinho de quero mais!

Vamos ter que voltar lá ano que vem para saber qual é o nosso real limite!

Desafio dos Sertões 2016! estaremos lá! E dessa, vez, querido Sol, nós vamos ter uma boa conversinha!!!"

 

Classificação Quartetos

1 – Makaira AL/PB/CE

2 - Caatinga Extreme - PE

3 - Pelaskdo Aventuras - BA

4 - Klouros Selva - AL

5 - Sokabota Pro – PE

 

Classificação Duplas

1 - Caatinga Extreme - pedal do vale - PE

2 - Os Caveirões - BA

3 - Gantuá SOWITEC - BA

4 - Gantuá Perdidão - BA

5 - Ospato – AL

 

Classificação Dupla 60 Km

1 - Center Guinchos

2 - Tupi Guarani

3 - Ranca Toco

4 - Esmeralda Race

5 - Pelaskdo / TriÁtila

6 - Esmeralda Giramundo

7 - Ranca Toco 2

8 - Arnold Project Team

9 - Sertão Adventure

10 - Muralha de Titânio

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2017 – Retorno em grande estilo – a vez do Piçarrão

 

Após um ano de ausência, ajudando na divulgação do CARI e no crescimento da corrida de aventura na região, o Desafio dos Sertões expande suas fronteiras e vai para a região Média do São Francisco, mais precisamente nos arredores do município de Sento Sé, um dos maiores em área da Bahia e um dos principais polos eólicos do Brasil – e foi justamente entre essas torres de vento que se deu um desafiador e belo percurso com 130 Km de pura aventura. Passamos pelos distritos de Piçarrão, São Pedro, Bonsucesso, Arizona e em áreas onde foi decretado o Parque Nacional do Boqueirão da Onça Pela primeira vez uma equipe do Vale do São Francisco levou a melhor dentre as 40 equipes presentes: a “Caatingueiros Selvagens”foi a única equipe a realizar todo o desafio, sagrou-se campeã e fez história na prova.

 

Desafio dos Sertões 2017 - Piçarrrão – Sento Sé

Lucy Helena – Penélopes do Agreste

"A edição anterior do Desafio dos Sertões foi em 2015. Nela, corri com Vand, meu parceiro desta e de outras vidas. Naquela prova, fomos vencidos pela Caatinga. O calor e o fim da nossa água fizeram com que desistíssemos de alguns PCs. A prova foi duríssima, mas a experiência inesquecível! A sofrência está relatada neste blog: Desafio dos Sertões 2015

Terminei aquela prova decidida a acertar as contas com o Sertão. Prometi voltar e superar meus reais limites. Promessa feita, promessa cumprida. 2017 e cá estamos nós enfrentando a Caatinga novamente.

Este ano, corri com Luciana Kroger, recém chegada às corridas de Aventura, com enorme potencial de se tornar uma atleta bem completa. Corremos a categoria de 60 km como “Penélopes do Agreste” – parte feminina da equipe dos Aventureiros.

As fotos da concentração antes da largada mostram o clima de amizade e descontração, características desta equipe, uma das mais tradicionais da Corrida de Aventura. Campeã em simpatia, persistência e coragem. Essa turma aí não desiste nunca!

A prova foi organizada por Walter Guerra e uma valorosa equipe. Eles pensaram em cada detalhe e o carinho dos organizadores podia ser visto e sentido por todos os lados. Desde o apoio pré-corrida ajudando a encontrar alojamento para todos, até o patrocínio da Gatorade que garantiu "suquinho de uva temperado" geladinho para todo mundo na largada e na chegada.

Antes do Briefing, no Posto Zé das Moças, assistimos a uma peça montada por um grupo de teatro local. Exaltando a Caatinga e as histórias do nordeste, a meninada deu um show de talento!  Ao ver aqueles meninos dançando, declamando poesia e contando as lendas do nordeste, confesso que fiquei emocionada. As lágrimas correram soltas... e isso foi só o começo.

Digo que nasci no Rio de Janeiro por um acidente geográfico. Sou nordestina por origens familiares e cultura. Minha mãe é cearense e meu pai, sergipano. Ela, nascida em Boa Viagem – interior do Ceará, perto de Quixeramobim. Ele, ribeirinho de Propriá do São Francisco. As histórias que eles me contavam e as referências que tenho de criação e costumes me trazem muito orgulho dessas origens.

O desafio dos sertões é uma tradição da Corrida de Aventura. É  objetivo de vida de todo atleta desse esporte. A maior característica da competição é que o adversário é a Caatinga. Baixa umidade, muito calor de dia, ventos secos e frios à noite. Muita poeira, espinhos e pedras. Ambiente inóspito e duro.

Há cerca de 700 km de Salvador, o local escolhido pela organização este ano foi o município de Sento Sé, próximo a represa de Sobradinho.

A água e a geração de energia vêm da Barragem, um estrangulamento no meio do Velho Chico que formou o (que já foi o) maior lago artificial da América Latina.

Atualmente, o lago conta com menos de 7% de sua capacidade, que vem minguando ano a ano. Sem políticas públicas de otimização do consumo e sem consciência ambiental na nossa população, estamos matando o Sobradinho e ferindo de morte o Rio São Francisco.  Espero que competições como esta ajudem a conscientizar a Sociedade sobre este drama. Precisamos salvar o Velho Chico.

Para emocionar ainda mais, Waltinho e sua turma montaram um clipe com todas as edições anteriores desta corrida. Apareceu lá o casamento dos Aventureiros Lu e Vitor, em 2014; A nossa participação em 2015 e muitas outras cenas inesquecíveis. A história do Desafio dos Sertões é linda. Escrevo esta resenha com o genuíno desejo de que tenhamos muitas e muitas outras edições. E que esse esporte ajude a dar visibilidade ao sertão e principalmente, que contribua para a preservação da Caatinga. A terra é boa. Sabendo manejar, ela trará muita prosperidade e fartura para aquelas comunidades e também para todo o Brasil.

A Largada

A inovação este ano veio com a entrega dos mapas praticamente na hora da largada. Com pouco tempo para marcar distâncias e traçar estratégias, a corrida teve que ser feita ponto a ponto. Isso tornou a prova ainda mais desafiadora. Pessoalmente, eu gostei da mudança. Faz com que a gente mergulhe de cabeça na prova e tenha ainda mais atenção no percurso.

Traçamos nossa estratégia até o PC-1 e quando vimos, já era hora de se posicionar no pórtico de largada. Ainda conversava com Lu Kroger quando escutei a vuvuzela e os fogos de artifício, anunciando o início da batalha. Corri para dar um beijinho de boa sorte no marido e me preparar para a partida.

Quando os fogo estouraram, a manada estourou junto. Saiu todo mundo correndo. Meu coração já batia na garganta, mas eu tinha que poupar fôlego. Sabia que tinha muita prova pela frente.

Começamos um trotezinho leve, mas constante. Conhecendo minha condição de treino, eu já sabia que se puxasse demais naquele momento faltaria fôlego para a escalaminhada que estava por vir. Lu Kroger, corredora já experiente, estava a todo vapor, mas segurou a onda para me acompanhar.

A navegação para o PC-1 foi bem fácil, pois era só seguir o estradão e a manada....Batido o primeiro, atravessamos o que um dia foi rio, mas hoje virou um charco quase seco. Só serviu para sujar o tênis de lama e ver alguns bichinhos interessantes, como esse simpático guaiamum aí do lado[1].

De acordo com as referências, esse bichinho pode ficar bem grande e a fêmea, na época da desova, fica com o corpo da cor das patinhas. O exemplar que eu vi devia ser uma fêmea e estava bem gordinha....

Feita a travessia, era hora de deixar os bichinhos em paz e começar a navegação de verdade.

A primeira decisão importante era localizar uma estradinha que nos daria acesso a entrada para a trilha do PC-B como mostra o mapinha aí ao lado. Na nossa estratégia inicial, pegaríamos o B e retornaríamos para atacar novamente o morro pelo outro lado e pegar os prismas C e A na sequência.

A escala era de 1:100.000, ou seja, cada centímetro no mapa corresponde a 1 quilômetro no terreno. Qualquer milímetro, transposto para o mundo físico já significava uma enorme distância. Isso nos trouxe uma dificuldade inicial, pois para achar a estradinha, primeiro tínhamos que seguir uma trilha aberta ao longo de um rio seco. Achamos o rio, mas estávamos em uma paralela do azimute, fora da trilha, já começando a rasgar mato logo na primeira hora do percurso.

A manada já havia se dispersado, com cada equipe seguindo sua estratégia ou se perdendo mesmo. Várias luzinhas se espalhavam em diferentes pontos. Tínhamos como referências o morro, com a TMA[2] que seria nosso prisma C, piscando feito árvore de natal, mas não achávamos a trilha principal.

Paramos para analisar o mapa e nossas reais possibilidades de achar ou não a trilha. Decidimos voltar para um ponto conhecido e reiniciar a navegação, quando vimos duas luzes vindo em nossa direção. Era a dupla BB Brindes com Plínio e Ricardo Omar. Duas pessoas iluminadas e atletas muito experientes. Conversamos com eles e decidimos seguir juntos naquele trecho, pois precisávamos de um bom azimute. Ou melhor, precisávamos de um azimute de ouro...

Plínio, nosso precioso mestre azimútico,  comandou a navegação nesse momento.

Buscando aprender, mantive meu mapa aberto o tempo todo observando as decisões e procurando participar das discussões, na medida em que conseguia contribuir. Temos que aproveitar essas oportunidades, pois não é todo dia que damos uma sorte dessas!

Essa foi a melhor parte da prova. Um trekking dificílimo, mas gostoso. Mesmo com a navegação precisa do Plínio não foi tão fácil achar a trilha. Muitas equipes andavam perdidas por ali literalmente se batendo pelo mato. Numa dessas, esbarramos com Lulu e Vitor que procuravam a mesma trilha que nós e seguiam pelo caminho que já tínhamos feito, só para descobrir que não era ali. Tentei avisar a Lulu, mas ela preferiu descobrir por si mesma...E descobriu rapidinho, por que é muito esperta!

Por fim, os aventureiros acharam o PC B e nós também. 

Mas aquele era apenas o primeiro PC letra...Ainda faltavam dois... Nessa hora, seguimos a estratégia da BB brindes que era continuar pelo morro mesmo. Isso implicou em muita coragem muita confiança na bússola, pois a trilha acabava e teríamos que rasgar a Caatinga morro acima. Se estivéssemos sozinhas seria bem arriscado, comprometendo não só a prova, como a nossa segurança. Não teríamos conseguido fazer esse trecho sem a BB brindes. Nossa gratidão eterna ao Plínio e ao Omar!

Daí em diante, haja joelho, pernas e braços... Era preciso o corpo todo para escalar aquele morro. E manter a mente firme para não pensar em dor, frio, sede ou fome... Éramos puros Foco e Força!

A essa altura, Lu e Vitor já estavam novamente conosco. Fizemos a escalada todos juntos em um astral super alegre com Lulu falando consigo, comigo e com todos. Vitor, animando a galera com suas frases espirituosas – Vamos gente, só o “cume interessa”. Lu Kroger e eu, procurando manter o ritmo para acompanhar as lendas vivas que estavam ali.

Estávamos brincando de fazer trilha. Todos muito felizes e falantes. Tinha até gente cantando...

Mandacaru quando flora lá na cerca.... ia cantando Plínio afinada e alegremente....Mais um talento descoberto (ou melhor, encoberto pelo mato)

A cantoria foi logo interrompida por lamentos de dor.... aiaiaiaiaiaiai

Era Plínio. De tanto invocar o espírito agreste, ele baixou em um mandacaru gigante em que Plínio segurou com força, confundindo com uma árvore. Com uma das mãos em brasa e cheia de espinhos, o valente corredor teve que comer a dor e seguir adiante. A pedido dele, botei um spray de gelol para ver se o ardidinho da cânfora aliviava a dor das espetadas. Espero que tenha funcionado.

E sobe o morro, que aqui não tem mimimi....

A subida foi gostosa. Como todos haviam se poupado na largada, estávamos com o fôlego em dia. Subimos num só ritmo e não paramos por nada. Ia tudo ficando mais difícil a cada passo. Cada atleta procurava se alimentar e hidratar de forma comedida, para evitar passar mal. Éramos então três equipes em três categorias diferentes - dupla feminina 60 km, dupla mista 130 km e dupla masculina 130 km. Não havia competição, mas sim cooperação e amizade. Confesso que curti subir aquele morro com essa galera. Confesso também que não subiria sem eles...

Parte do percurso eu fiz deitada mesmo, feito uma lagartixa do Agreste. Numa dessas escorreguei e fui de boca ao chão. As unhas dos pés, já em estado lastimável, insistiam em topar e tudo... toco, pedra, pau....Achei que tinha quebrado um dedo, mas não dava tempo de conferir e deixei pra lá...Comi a dor com carbogel e segui adiante.

No meio do sofrimento, encontramos o quarteto Aventureiros já descendo. Deu tempo de pegar umas dicas com eles e de quebra, dar mais um beijinho no marido...Essa é a parte boa de não corrermos juntos. A gente não tem tempo de brigar e se beija mais....(quem nunca brigou com seu parceiro de corrida é por que ainda não correu direito...#ficadica).

Demo-nos conta de que havíamos passado do prisma A, mas não desistimos de continuar a subida. Resolvemos então atacar o “C” – pois a antena estava bem visível e piscante. Daria para pegar o que faltava na volta.

Escalando aquelas pedras soltas eu já comecei a pensar como seria para descer... Mas, enfim. Na corrida como na vida,  vivamos um PC de cada vez.

Chegando na TMA foi uma festa. Mais fotos para o registro e sem pausar, vamos descer, que ainda tem muito morro pela frente.

Você já fez esqui-bunda nas pedras? Pois é, mais uma modalidade desse esporte que há cada dia me surpreende mais. Tomando cuidado para poupar os joelhos já gastos, eu desci quase tudo de bunda mesmo... Até cair sentada em cima de uma pedra bem em cima daquele ossinho de nome difícil... até hoje sento de ladinho...hehehehe.

Vitor Hugo disparou na frente e rasgando mato com força, ajudou a equipe a localizar o prisma A.

Quando a descida acabou, percebi que havia deixado mais que calorias naquele morro.... Parte da minha calça havia ficado por lá. Um ventinho gelado e um respeitoso aviso dos colegas me alertou que algo de errado não estava certo em minha compostura...

Numa hora dessa só que nos resta é entrar na brincadeira e rir de si mesma, junto com todo mundo que já ria a litros... Passei a mão para medir o tamanho do estrago e vi que não era muito, mas o suficiente para expor uma parte significativa, da minha também significativa buzanfa.... Ainda bem que era madrugada e estava bem escuro...

Lembrei do meu agasalho, que só tinha levado por que era equipamento obrigatório. Não sinto muito frio quando estou correndo e achei que o casaquinho seria inútil, mas ele se mostrou mais que importante nesse momento. Amarrei o dito cujo na cintura, sob protestos da galera e logo já estava de novo recatada, apesar da torcida ter chiado um pouco...

Mantivemos o trekking forte até voltar a transição. Já era dia quando chegamos no PC 5. Encontramos o quarteto dos Aventureiros se preparando para sair para o próximo trecho. Nessa hora, as equipes se dividiram, pois cada um precisava seguir seu rumo. Nossa categoria era a mais curta e agora só teríamos um trecho de bike pela frente, antes de concluir a prova.  O restante do grupo ainda enfrentaria mais dois trechos, um de bike e um de trekking e, se tudo desse certo, ainda pegariam o remo antes da chegada.

O pedal no areal - Você precisa de força - pra não desistir de lutar

Em comum acordo, no trecho de bike a navegação ficou por minha conta. Procurei medir as distâncias com cuidado, pois essa era a chave desse percurso. A navegação em si não era difícil. Só não poderia vacilar nas escalas. Com a marcação precisa das distâncias, achamos o PC O sem dificuldades.

O PC O ficava em uma casa, que só depois da prova soube que estava abandonada. Assim que chegamos, eu vi movimento dentro da casa e já passei no portão dando bom dia. Imaginava até encontrar alguém ali para me oferecer um cafezinho... mas, fui alertada por Lu Kroger de que a casa estava vazia....

- Oxi, mas eu vi coisa se mexendo lá dentro. Pensei que tinha alguém em casa.

- Tem não, doida. A casa está vazia... deve ter sido o vento...

Dando risada tiramos nossa foto e nos mandamos dali... pelo relato das demais equipes, eu acho que tinha gente ali sim, só não sei se essa "gente" era desse mundo.....hahahahaha

Pela minha estratégia, que só depois da prova vi que não foi a melhor, decidimos voltar dois quilômetros e assim pegar a trilha direto para o PC P. O vento contra, o calor do dia já alto e a areia fofa foram adversários de respeito nessa hora.  Luciana se saiu muito bem em seu brinquedo novo (uma bike de 29 polegadas que trazia a energia de Arnaldo – outro atleta de elite). Em vários trechos, ela abriu uma boa dianteira e eu tive que girar as catraquinhas para acompanhar.

Marcando as distâncias bem certinho no mapa e seguindo as trilhas corretamente, fiz uma navegação segura e consciente até o P - A melhor até agora. Fiquei muito satisfeita comigo mesma J. Pedalar no areal, contra o vento e trilha acima, depois de 6 horas de trekking não é tarefa fácil. Procurei manter o ritmo e pedalar o máximo possível, evitando empurra-bike, mas houve trechos em que não havia escolha. O pedal foi lento, mas constante. E a parceria da Lu, fundamental!

No PC-P paramos para decidir se pegávamos o PC-N ou não. Este era um PC-bônus que daria uma hora e meia de vantagem para quem o pegasse. Entretanto, atacando esse ponto por ali, teríamos que vencer um estradão de 5 km, na areia, curva de nível acima (sem falar nos 5 km da volta, que mesmo sendo descida, ainda são lentos devido ao areal). Pelo ritmo em que estávamos e com dois dedinhos de água no squeeze, acabamos optando por não pegar o PC-N. Decisão tomada, voltamos para a trilha, rumo a chegada.

Os primeiros seis quilômetros da volta foram uma belezinha. Agora foi minha vez de assumir a dianteira, devido a ter aprimorado a técnica de descidas, mesmo em trechos de areia. Ainda assim, não foi fácil e a bike atolava várias vezes.

Dá uma olhadinha no naipe do terreno que a gente tinha que passar. Um calor dos infernos e nem uma sombrinha para abrigar.

Eu contava um metro de cada vez e o pedal ia ficando cada vez mais pesado. Ora eu parava, ora Lu parava. Ora era a sede, ora os joelhos. Cada atolada na areia era um "ai". As patelas não gostam de desclipar e reclamaram bastante.

No meio do caminho, ainda faltando uns 8 km para a chegada, faltaram-me as forças. Eu parei perto de um espinheiro. Um arremedo de sombra, porque não tinha mais fôlego nem água. Lu parou comigo. Cansada e com dor, ela também estava com sede. Em silêncio, as duas fizeram suas preces. Sem saber que Lu também rezava, eu conversava com Deus.... - Senhor, eu sei que me meti nesse mato por minha conta e risco. Mas, um pequeno milagre não faria mal... Bem que podia passar alguém aqui com água...

Antes que eu terminasse a prece, passou uma caminhonete levantando poeira. A princípio, pensamos que ia embora, mas o veículo voltou de ré e perguntou se estávamos precisando de algo. Eu, desanimada perguntei se ele tinha água, e a resposta foi não.... Comecei a chorar baixinho... - Tudo bem, moço. A gente só estava precisando de água mesmo.... Comovidos, não sei de onde, tiraram uma garrafinha e deram pra gente. Acho que deram a água deles. Agradeci em prantos e bebemos a água com a alegria dos sedentos. Eu parecia uma refugiada de guerra. Empoeirada, rasgada, estrupiada e com sede...

Daqui a pouco, parou uma moto e lá vem uma moça toda sorridente com mais uma garrafinha... E logo, chegou outro carro com mais água....GELADA!!!! Lu Kroger parecia uma criança....Água geladinha....geladinha.....Eu chorava feito besta....

- Gente, eu tô bem... Só estou emocionada. Eu estava fazendo uma prece quando vocês chegaram. Eu estava pedindo água. Foi quando Lu Kroger disse que também estava rezando. E já tinha chamado por seus antepassados nordestinos. Pedindo força para concluir a corrida! Do nada vi que tinha uma câmera, e que estava nos filmando.... Estou curiosa para ver... Não sei se vou rir ou chorar de novo....

Refeitas e alegres, seguimos nosso rumo. Eu só queria chegar. Sabia que a água ia acabar logo e naquele ritmo, ainda teríamos uma hora de pedal-empurra-bike.

Chegamos em uma cisterna, mas eu nem queria parar - tolo erro. Lu, mais esperta, parou e pedindo licença a uma cabrita que havia chegado primeiro, pôs-se a banhar-se na cisterna. Molhou a cabeça e voltou toda fresquinha, como se tivesse acabado de começar a prova. Ela me chamou para ir, mas eu estava contando os metros. Só a chegada me interessava. Para completar, tinha um boi na fila para beber água e achei melhor não afrontar o dito-cujo....

Foi um erro não ter me banhado com a cabrita...

Faltando quatro quilômetros para a chegada, e já me sentindo fraca, resolvi comer um pedacinho de barra de proteína. A água já estava novamente acabando e eu enjoei violentamente. Tive que parar outra vez e quase achei que não ia mais conseguir... Mas, não tinha como desistir agora.... Já tínhamos feito o percurso  quase todo, virado a noite, subido morro de pedra, pedalado em areia contra o vento... Como desistir agora? Nem pensar....

Lu foi atrás de água e me ajudou a recuperar o que sobrava de forças. Onde parávamos, sempre tinha quem oferecesse um copo d'água, um incentivo. Numa das casas havia uma avó e uma neta. A avó nos ofereceu sua água e a netinha, Rose, pô-se a conversar. - Eu acho essas bicicletas bonitas...  Eu tenho oito anos... Uma menina linda. Eu disse a ela que se ela estudar e trabalhar bem direitinho, um dia teria uma bicicleta igual a minha... Eu ainda não sei ler...

Pois aprenda, Rose. Se esforce. Você vai ter que se esforçar o dobro. Para vencer a falta de recursos, a falta de atenção do Estado, a falta de opções e a falta de respeito. E vai ter que se esforçar ainda mais, pelo simples fato de ser uma menina. Mas, valerá a pena. Não desista!

Com muito esforço, vencemos a trilha final até o vilarejo. Entrando na vila, um grupo de pessoas começou a nos aplaudir. Chamavam-nos de guerreiras. E é o que fomos neste fim de semana. Mas os verdadeiros guerreiros são eles, que vencem a Caatinga todos os dias!

Quase sem voz, e exausta, eu só pedia que Lu me esperasse para passarmos juntas na chegada. Só voltei a me animar quando vi o pórtico. Aí foi embora o cansaço, a dor, a sede, o enjôo e tudo.... Pedalei com força e alegria! Concluímos a prova e passamos juntas no Pórtico! Eram 13:00. Completamos o percurso em catorze horas!

Fizemos festa para nós mesmas e a alegria era tanta que chamamos a atenção da organização e de quem já descansava na chegada. Logo veio Ana Paula e fez essa linda  e inesquecível foto. Vencemos! Primeiro lugar na categoria duplas mistas/femininas 60 km! Uma corrida para entrar para a história!

O sertão não é pra qualquer um. Ele exige respeito. O sertão molda o caráter. Ensina a ser gente!

Desejo que voinha tenha saúde para terminar de criar a Rose. E que Rose estude, se forme e trabalhe. Desejo que Rose compre uma bicicleta. E que se torne uma Penélope do Agreste."

 

Classificação Quartetos

1 - Caatingueiros Selvagens – BA

2 - Makaira - AL

3 - Equipe Bodyspot – SE/BA

4 - Vqv – Acquativ – AL

5 - Klouros Ultraride – AL

 

Classificação Duplas

1 - Bravus – BA

2 - Mundaú / BOXXFIT – AL

3 – Calangos – BA

4 - Indelével – AL

 

Classificação Duplas Mistas

1 - Makaira - NP6 – BA/SP

2 - Bichos Escrotos – CE

3 - Aventureiros do Agreste - BA

4 - Penélopes do Agreste – BA

 

Classificação 60 Km

Esmeralda Race

The Stakes Alagoanos

KLOUROS Crazy

My Gift

Esmeralda Giramundo

Surikato

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2018 - SINTA O PODER DO SERTÃO - Nas trilhas de Lampião

 

A 9ª edição do ‘Desafio dos Sertões’, um dos maiores eventos esportivos do Vale do São Francisco, acontecerá na região de Paulo Afonso, na chamada tríplice fronteira, entre os estados da Bahia, Alagoas e Sergipe, entre os dias 08 e 09 de setembro. Serão montadas duas pistas: uma com distância aproximada de 60 km e outra maior e mais desafiadora de pouco mais de 120 Km divididos nas modalidades trekking, mountain bike, canoagem, técnicas verticais e orientação.

Os cânions do São Francisco formam um cenário perfeito e muito propício para a corrida de aventura. Alterna boas trilhas, muitas delas percorridas pelo Cangaceiro Lampião e seu bando e permite convívio com a vegetação típica do semi-árido nordestino – o nosso bioma caatinga, além das refrescantes águas do rio da Integração Nacional.

Este é o primeiro Brieffing (comunicado) Eletrônico do Desafio dos Sertões 2018, ainda sem muitas informações, igual ao dos outros anos, mas que já dá para organizar algumas coisas pra não passar perrengue no Sertão.

A prova será realizada entre os dias 08 e 09 de setembro, e como em todas as edições passadas, na Bacia Hidrográfica do rio São Francisco – a diferença é que mudamos de região, fomos para o Baixo curso do rio na tríplice divisa entre os estados da Bahia, Alagoas e Sergipe.

Está é a região das andanças de Lampião, o “Rei do Cangaço”, Maria Bonita e todo o seu folclórico, histórico e “retado” bando de cangaceiros. A região já serviu de cenário para grandes produções cinematográficas, sempre num misto de beleza e sofrimento, característico do nosso Sertão nordestino e nós seremos mais um bando a invadir com tênis, bicicletas e lanternas, as trilhas da região. Mais um porque devemos passar por lugares onde foi disputado a também lendária “Corrida das Fronteiras”, a última grande etapa do Brasil Wild e que deixa saudades em todos por aqui – atletas e moradores.

O sertão é muito lindo e peculiar, com vários tipos de terreno, caatinga braba, um cânion perfeito e um relevo muito característico – com poucas áreas de elevação. Então o sol escaldante deverá ser o diferencial, já que em setembro a temperatura não costuma aliviar.

Para esta etapa retomamos o nosso site www.desafiodossertoes.com.br, visando uma visibilidade maior onde podemos concentrar todas as informações de uma forma mais organizada, afinal, este Desafio será válido pelo novo Circuito SPOT da CBCA, estamos retornando ao Campeonato Nordestino de Aventuras – CNA e será a terceira etapa do Campeonato Baiano de Corrida de Aventura, organizado pela FBCA.

Esse ano, contaremos mais uma vez com a parceria da SPOT, o melhor dos rastreadores, e que vem sendo utilizado com muita frequência nas principais corridas de aventura do Brasil. Além de mostrar o percurso, essa ferramenta é imprescindível para uma maior segurança na prova e eventual resgate. A diferença é que não iremos mais oferecer o aparelho, as equipes que desejam participar do Circuito Brasileiro devem levar o seu próprio rastreador SPOT GEN3 - A SPOT irá oferecer o código promocional CBCAGEN3 para a ativação do seu aparelho nesta etapa. Quem não tiver o SPOT corre normalmente e concorre as etapas do CNA e FBCA, além da premiação do Desafio dos Sertões.

Também seguindo o modelo do ano passado, montaremos dois circuitos: um na faixa dos 60 km e outro com aproximados 120 km, e novamente não faremos distinção prévia na inscrição – os atletas largam e seguem juntos por alguns PC’s até a divisão da prova, onde a equipe irá decidir se completa o menor percurso ou se segue para a prova mais longa. Adotamos este modelo por entender que uma equipe pode ter problemas durante a etapa, ou ter um rendimento superior ao que estava imaginando, então existe a possibilidade de mudança de planos dentro da prova.

A questão da logística de embarcações continua sendo um problema nas provas do nordeste, e não está definido se usaremos caiaques ou se iremos repetir o uso das canoas dos pescadores – a única certeza é o belo cenário dos Cânions do São Francisco onde muita gente costuma se perder nos “braços” do rio. Se for confirmado o uso de caiaques, a organização entrará em contato com a equipe inscrita caso a mesma opte por remar em sua própria embarcação, no entanto a possibilidade de limitarmos inscrições é grande – garanta logo sua vaga!

As modalidades tradicionais farão parte do Desafio: trekking, mountain bike, canoagem, técnicas verticais e a tal “modalidade surpresa” e ofertaremos as categorias dos circuitos dos quais fazemos parte (CBCA, CNA e FBCA): duplas masculina, duplas mistas e quartetos nas duas distâncias do percurso – lembrando que no percurso menor não devemos ter a modalidade de remo e técnicas verticais.

A hospedagem é outra coisa muito importante nas corridas “fora de casa” e nesta mesma data acontecerá a Copa Vela em Paulo Afonso, o que diminuirá a oferta de leitos de hotel. Estamos em contato com pousadas da região, nos três estados para que possamos ficar mais tranquilos. Por esta razão não devemos largar muito cedo, deste modo, quem ficar hospedado num raio de 100 km de Paulo Afonso, tenha tranquilidade para chegar na largada com tempo ideal para preparação. Lembramos ainda que será ofertado um local para quem quiser montar suas barracas – provavelmente um ginásio de esporte que ficará a nossa disposição no final de semana. Em breve divulgaremos lista de hotéis e pousadas na região.

O Kit médico e equipamentos obrigatórios não irão fugir daqueles moldes que já estamos acostumados nas corridas – lembrem-se que é uma região quente e com pouca água – então não economizem no tamanho do hidro e nem esqueçam do protetor solar, setembro costuma castigar.

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